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A implantação do novo bloco do Hospital Israelita Albert Einstein, no Morumbi, em São Paulo, exigiu a elaboração de um plano diretor urbanístico e de estudo de viabilidade técnica. Este trabalho prévio além de viabilizar a construção, teve como objetivo associar as demandas de expansão do complexo hospitalar às condicionantes de ocupação do bairro residencial e às diretrizes do Plano Diretor Estratégico de 2006, elaborado pela Sociedade Beneficente Israelita Brasileira.
As obras de ampliação do Albert Einstein são, sem sombra de dúvida, um dos mais importantes desafios da engenharia civil brasileira dos últimos anos. Além de conhecimento técnico, foi preciso muita criatividade, profissionalismo e bom senso por parte dos profissionais envolvidos na iniciativa. A construção do novo Centro de Diagnósticos, concluída em agosto de 2009, já é considerada um marco entre todos os envolvidos no projeto.
O projeto inclui a construção de três novos prédios e um auditório junto à Unidade Morumbi. A conclusão das obras está prevista para 2012, quando a área construída passará de 86 mil m2 para 229 mil m2. A iniciativa permitirá duplicar a capacidade de atendimento. Com isso, o Albert Einstein terá alinhado as estruturas do hospital às exigências das modernas tecnologias, à nova realidade da prática médica e aos mais rigorosos requisitos de qualidade no atendimento.
A primeira preocupação dos profissionais envolvidos no projeto foi interferir o menos possível na rotina do Hospital.
A construção do novo Centro de Diagnósticos, por exemplo, exigiu da Racional Engenharia alternativas para isolar o barulho, o que foi feito por meio da utilização de vidros insulados, dispositivos antirruído e horários especiais para execução dos trabalhos. Durante a construção da passarela, que interliga o novo prédio ao complexo já existente, também foi colocada uma bandeja para evitar a queda de entulhos na rua, onde a movimentação de pedestres e veículos é constante. Do ponto de vista técnico, o grande desafio foi a construção de uma parede diafragma de 7.589 m², com 31,8 m de altura, uma das maiores do país. A iniciativa foi necessária para conter de forma satisfatória os 16 andares do edifício, onde funcionarão consultórios, centros cirúrgicos e garagens.
Com 70 mil m2 de área construída, o prédio tem quatro pavimentos completamente enterrados e cinco semi-enterrados, com pelo menos uma face exposta, erguido em um terreno de 9 mil m2, que apresenta desníveis de até 18 m.
Outro desafio que torna o projeto único é a utilização de grandes quantidades de caixilhos, principalmente no fechamento de grandes vãos. No total, a obra consumiu cerca de 20 mil m² de caixilhos. Para a fachada, foram desenvolvidos perfis exclusivos para o novo edifício.
As obras de expansão visam atender à crescente demanda e principalmente às novas tecnologias de equipamentos da área científica. Para aprimorar o atendimento das especialidades médicas, adotou-se a horizontalização das atividades, conceito utilizado para integrar as equipes, minimizar o número de funcionários assistenciais com os quais o paciente interage e reduzir as chances de erro médico.
Segundo o diretor de projetos da Kahn do Brasil, Arthur Brito, a volumetria e as fachadas modulares coloridas fazem o contraponto entre o novo pavilhão e os antigos edifícios do Hospital, anteriormente projetados por Rino Levi, Jorge Wilheim e Jarbas Karman e Domingos Fiorentini e Jorge Wilheim.
O novo conjunto hospitalar é definido por dois blocos unidos por três torres de circulação. A fachada combina vidros de alto desempenho, fixados com silicone estrutural, e revestimento de porcelanato encaixilhado, no sistema ventilado.
O edifício tem o maior painel unitizado já construído no país. São módulos de 4.060 x 4.230 milímetros, em sua maioria, chegando, em alguns casos, a 4.060 x 5.240 milímetros. Como a formatação do mosaico exigia muitos tipos de junções, foi escolhido um conceito unitizado, com marcação externa no sistema stick.
O declive de 18 metros condicionou o partido arquitetônico e favoreceu a implantação de uma praça com acesso público. O projeto buscou uma solução integrada com o partido estrutural e o posicionamento dos pilares para dar flexibilidade aos espaços. Os pés-direitos respeitam os níveis dos pavimentos dos edifícios, possibilitando a passagem, em nível, pelas passarelas; além da total integração dos demais serviços do hospital nos demais pisos.
No átrio estão localizados a recepção e um café integrado à praça e as lojas de conveniência. No coroamento do edifício há a cobertura-jardim.
Obedecendo a conceitos de sustentabilidade, a obra aproveitou ao máximo os recursos naturais e renováveis. O projeto contemplou ainda a racionalização e economia de água, o gerenciamento da demanda energética e a qualidade do ambiente interno.
Para reduzir o consumo de energia com climatização, o hospital concluiu também um projeto de unificação da sua central de água gelada, com equipamentos mais eficientes e ganho de escala. A distribuição elétrica é feita por buzz way e planejada para permitir a máxima flexibilidade das instalações.
Seguindo os mais modernos padrões internacionais, o novo Centro de Diagnósticos terá a certificação LEED. Concedido a empreendimentos sustentáveis, o selo é obtido por edifícios que adotam práticas que levam o meio ambiente em consideração, como economizar energia, racionalizar o uso da água e utilizar materiais reciclados e não agressivos. Os edifícios são avaliados e, em função da pontuação obtida, recebem o certificado relativo a um dos quatro níveis de sustentabilidade previstos: Certificação Simples, Silver, Gold e Platinum.
O objetivo do Albert Einstein é obter a classificação Silver. Para isso, o projeto incorporou diversas soluções sustentáveis. A fachada projetada para o Centro de Diagnósticos, por exemplo, permite a criação de um bolsão de ar que otimizará o uso do ar condicionado e maximizará a economia de energia. Essas mesmas vantagens serão obtidas por meio da cobertura verde utilizada no telhado, que diminuirá a ocorrência de bolsões de ar quente. Outros diferenciais são as bacias sanitárias, alimentadas por água pluvial, e a utilização de concreto permeável nas calçadas. O novo centro de diagnósticos será o segundo empreendimento na área de saúde a receber a certificação no país. O primeiro deles, também com selo Silver, foi a Unidade Luiz Dumont Villares do Laboratório Delboni Auriemo, inaugurada em março de 2009, na capital paulista.
INTERIORES
O projeto de arquitetura de interiores do Albert Einstein segue a nova tendência de “hotelaria na arquitetura hospitalar” que dedica atenção especial ao projeto de ambientação (recepção, salas de espera, corredores, quartos, banheiros e áreas de convivência) primando pela humanização dos ambientes internos e tecnologia de materiais.
Um projeto de um hospital deve levar em conta bases legais e bases técnicas. Entre as bases legais a serem seguidas estão: normas da ABNT, Código de Obras do Município, Normas do Corpo de Bombeiros, Normas de Vigilância Sanitária (Nacional e Regional), Normas do Conselho Federal de Medicina, Normas do Sistema Único de Saúde – SUS e demais normas específicas. Já a adequação técnica deve levar em conta a facilidade de manutenção, durabilidade e resistência, aspectos ergonômicos, impedimento de acúmulo de sujidades e segurança para o usuário do ambiente, entre outros aspectos.
A linguagem estética deve ser coerente com o perfil do usuário, a sinalização visual deve ter um design gráfico agradável, objetivo e eficiente. Vale ressaltar que o projeto arquitetônico deve colaborar ao máximo para a humanização do espaço, trazendo para o projeto de interiores elementos como iluminação, acústica, paisagismo e adequação de cores à ambientação. Uma paginação de piso criativa também é outro importante apelo, bem como vegetação em vasos quando não há espaço para um projeto paisagístico.
Para a concepção do projeto de arquitetura de interiores, foram observadas características estéticas e técnicas. Seguindo esses conceitos, optou-se pelo mármore para revestimento de pisos e paredes.
Segundo Roberto Bauler, da Ferraz Mármores e Granitos, uma das marmorarias responsáveis pela execução do projeto, o maior desafio proposto pelo empreendimento foi escolher um material que atendesse à expectativa estética do cliente, na metragem requerida pelo projeto e com garantia de fornecimento, a fim de que o cronograma da obra fosse seguido a risca. “Só para se ter uma idéia, executamos 12.000 m2 em três meses”, afirma. Outro desafio foi encontrar rochas que fossem uniformes, em função das grandes áreas de piso, e que tivessem uma boa relação custo-benefício. “Optamos por um material extraído no Oriente Médio, o mármore Crema Bélico, que ainda não tinha sido especificado em nenhuma obra no Brasil, e a importação ficou a cargo da Minexco, empresa que tem grande know-how de importação, especialmente naquela região. Já o mármore Marrom Real, importado da China, foi escolhido também em função da sua uniformidade e por não ser tão duro como o similar espanhol. Ao todo foram importados 3.000 m2 de Marrom Real e 9.000 m2 de Crema Bélico. Em função da metragem a ser executada e para que o cronograma fosse rigorosamente cumprido, a Racional Engenharia decidiu contratar duas marmorarias para a execução da obra, a Ferraz Mármores e Granitos e a Marmoraria Mendes, que se uniram operacionalmente para administrar o projeto. Montamos um escritório na própria obra, com infra-estrutura, pessoal e equipamentos de ambas as empresas. Tanto o nível de detalhamento como o tipo de acabamento não exigiu investimentos em novos equipamentos, uma vez que as duas marmorarias estão capacitadas tecnologicamente para a execução deste tipo de projeto”.
Roberto Bauler aponta como diferencial do projeto, os pisos dos halls dos elevadores social e de serviço. “Como os pisos eram curvos e as placas eram de grandes dimensões, a fim de garantir a precisão dos cortes foi utilizada a máquina de jato de água. Estávamos comprando o equipamento, mas ficamos receosos quanto ao prazo de entrega que era muito apertado e poderia vir a comprometer o cronograma da obra. A solução foi utilizar a máquina da Escola Mario Amato do SENAI, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista”.
A paginação dos pisos ficou a cargo da Khan do Brasil, sendo que as placas maiores medem 1,25 m x 75 cm, com exceção dos pisos curvos. Nos demais andares, as placas medem 90 cm x 90 cm. O projeto segue a mesma paginação em todos os andares. “O projeto foi todo maximizado visando o melhor aproveitamento das peças. Na paginação das paredes do lobby foram utilizadas peças grandes, com placas que medem 1,10 m x 1,10 m, fixadas pelo sistema americano”.
GERENCIAMENTO E EXECUÇÃO
De acordo com Roberto Bauler e Gilson Mendes, no início, as duas marmorarias importaram o material já cortado. Posteriormente, a Minexco passou a importar o material, obedecendo a um cronograma pré-estabelecido, sendo que a distribuição dos materiais foi baseada na produtividade de cada marmoraria e de acordo com os equipamentos instalados em cada empresa. “Todo o gerenciamento da importação foi feito pelas duas marmorarias que repassavam os dados para a Minexco. O planejamento enviado à Minexco tinha informações sobre a quantidade de chapas a ser importada, o tamanho das placas, o tipo de acabamento do material e o prazo de entrega. A maioria das peças tem acabamento polido, sendo que algumas receberam acabamento levigado. A expertise da Minexco nesse processo foi fundamental para o êxito da operação e o cumprimento do cronograma”, reforça Bauler.
De posse do projeto de paginação dos pisos, elaborado pela Khan do Brasil, as marmorarias fizeram a medição “in loco” do nível, do prumo e eixo dos elevadores. “Este trabalho deu origem ao projeto executivo que foi encaminhado ao SENAI. Montamos uma equipe para acompanhamento do corte das pedras, separação das chapas em lotes, numeração e identificação das placas mediante o código do projeto, e embalagem e paletização dos materiais que seriam enviados à obra. Desenvolvemos também todo o projeto de logística de transporte. Coube também à nossa equipe, a retirada do entulho”.
Antes do assentamento do piso, a face inferior foi impermeabilizada com hidrotop ou sikatop e, posteriormente, a placa foi assentada sob cimento branco. “Utilizamos rejunte hidrofugante flexível, sendo que os demais insumos foram fornecidos pela obra, mediante orientação do consultor Eleno de Paula, da LITHOTEC”.
Bauler enfatiza que o entrosamento e parceria entre as duas marmorarias possibilitaram um resultado final que prima pela qualidade estética e técnica. “Chegamos a ter 130 funcionários trabalhando na obra nos momentos de pico. Trabalhamos nos finais de semana e feriados, mas ver a obra pronta valeu todo o esforço”.
Em relação aos acabamentos, as paredes receberam molduras e os rodapés contam com frisos. “Para realizar o trabalho de acabamento dos rodapés, nós desenvolvemos algumas fresas diamantadas que permitiram que os dois sulcos fossem feitos de uma só vez, agilizando o processo. As molduras que fazem o embasamento das paredes dos halls curvos receberam acabamento meia cana”.
O diretor da Ferraz Mármores e Granitos ressalta que as construtoras estão trabalhando com prazos cada vez menores, o que tem feito com que as marmorarias invistam em tecnologia de ponta, aquisição de equipamentos modernos e na qualificação e capacitação de seus profissionais. “Para que uma marmoraria seja competitiva, ela tem que ser ágil e ter uma logística eficiente. Não importa mais o tamanho da empresa, mas sim a capacidade de atender prontamente às necessidades do cliente, inclusive, as modificações de projeto que possam surgir durante a obra”.
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