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O setor de rochas vem passando por muitas mudanças que vão além das questões comerciais e mercadológicas, da quantidade exportada, ou do desafio de aliar capacitação profissional e tecnologias de última geração.
Hoje, é impossível ignorar questões como o novo marco regulatório da mineração, sustentabilidade, novas normas que estabelecem requisitos de segurança para o transporte de blocos e chapas serradas, recomendações técnicas sobre saúde e segurança no ambiente de trabalho que passam a exigir dos marmoristas a aquisição de equipamentos a úmido, e Indicação Geográfica (IG) de Denominação de Origem (D.O) que dão às rochas ornamentais a certificação quanto à sua origem, especificações e qualidades. Todos esses fatores a curto e médio prazo vão ter influência direta na gestão das empresas. O novo marco regulatório, por exemplo, prevê mudanças com relação ao aproveitamento dos recursos minerais, estabelecendo normas sobre as atividades de pesquisa, lavra, beneficiamento de substâncias minerais e de recuperação ambiental, bem como o fechamento da mina. Se por um lado,o objetivo é desburocratizar a Administração Pública Mineral,tornando mais célere a obtenção do Direito Mineral pelo Administrado;por outro lado,as medidas de fiscalização tendem a ser mais incisivas.
Em relação à sustentabilidade, aliar progresso econômico a ações sociais e conservação ambiental tem sido um dos grandes desafios do setor. Nas empresas de extração, notamos investimentos em equipamentos de furação de última geração e de fio diamantado, além da utilização de maquinário pesado moderno, proporcionando maior racionalidade operacional e agilidade na implantação de dispositivos de controle ambiental. As empresas de beneficiamento têm investido, principalmente, na instalação de filtro-prensa e construção de leitos de secagem; além de teares multifios, em substituição aos teares convencionais. O que significa dizer também que o setor hoje é grande importador de tecnologia. Já as marmorarias passaram a ter a obrigatoriedade de operar com equipamentos a úmido e vêm buscando adaptar-se às novas normas.
Os próprios órgãos fiscalizadores apontam como prioridade para o setor a busca de soluções para a destinação adequada da lama de beneficiamento de rochas ornamentais, assim como a padronização e normatização do devido uso da lama do beneficiamento de rochas ornamentais como subproduto ou matéria-prima.
Vale ressaltar também que a rotulagem socioambiental será uma exigência cada vez maior para que um produto possa ser exportado para os mercados norte-americanos e europeus. O que significa dizer que o setor deve se preocupar em buscar um selo que garanta ao mercado a qualidade e a sustentabilidade do produto (rocha ornamental) e da empresa que conquistou o selo.
No que se refere às exportações, de acordo com dados do Centrorochas, nos quatro primeiros meses de 2010, foi exportado um volume de US$ 198,3 milhões. No mesmo período do ano passado, o valor foi de US$ 114,2 milhões, mostrando uma recuperação de 73%. Em volume, o setor exportou 230,9 mil toneladas no primeiro quadrimestre do ano passado, contra 415,7 mil toneladas de janeiro a abril deste ano, uma recuperação de 80%.
Porém, não basta apenas exportar. O setor tem que ter condições de honrar seus compromissos. Por isso, é necessário eliminar os gargalos referentes à logística, com investimentos em infraestrutura que solucionem o problema dos portos, a fim de ampliar a capacidade de exportação.
Segundo o Centrorochas, as perdas de embarque, que atrasam as entregas dos contêineres em uma semana, representam 20% de atraso na entrega da carga ao cliente, já que este tempo demora, em média, um mês.
Às vésperas de mais uma Cachoeiro Stone Fair, uma das principais feiras setoriais do Brasil e a grande feira do sul do Estado do Espírito Santo direcionada ao mercado interno, abre-se um importante espaço para a discussão dessas questões que são tão pontuais para o setor. ?
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