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O presidente da Região da Toscana, Enrico Rossi, abriu a trigésima edição da mostra que apresentou 330 expositores, incluindo 52 estrangeiros de 21 paí-ses, além de delegações estrangeiras. O evento foi realizado em uma área de 40 mil m2, e apresentou novidades em mármores e tecnologias, bem como exposições e conferências.
A Feira foi visitada por 20 mil pessoas, sendo 16.740 profissionais do setor de rocha natural, tecnologia e indústrias de serviços, bem como escritórios de arquitetura e design, que representam um elo fundamental para a promoção e utilização de rochas naturais.
A CarraraMarmotec se constitui em um importante termômetro de avaliação do mercado local e também mundial, visto que, em 2009, a Itália exportou 2.822.355 toneladas de mármore e granito no valor de um bilhão e
€ 392.000.000, uma diminuição face a 2008, de -10,12% em volume e 19,35% em valor. As exportações italianas sofreram retração, com exceção das exportações de blocos de mármore e lajes, com 1 milhão e 75 mil toneladas exportadas, correspondendo a € 204.000.000, um aumento de 6,7%.
Um dos pontos fortes da CarraraMarmotec é o programa de iniciativas que, tradicionalmente, abrange todas as áreas relacionadas com o setor de rochas.
A Feira de Carrara, em colaboração com o ICE, Região da Toscana, Câmaras de Comércio e Associações do setor, fez um intenso trabalho de motivação, que resultou na presença de grupos de um total de mais de 500 arquitetos e empresários do setor, um número jamais registrado nas edições anteriores; consolidando também seu papel como promotor comercial, técnico e cultural, com um evento fora da área de exposição, numa grande festa no centro histórico Piazza Alberica, onde os 30 anos da CarraraMarmotec foram comemorados, além da promoção de visitas às jazidas e indústrias do setor.
No que diz respeito a visitantes estrangeiros, há também uma interessante análise das nações de origem, com um número significativo da França (16%), um aumento no número de norte-americanos (8%), enquanto o Egito, Polônia e Turquia registram (7%) cada. Outros países importantes como Alemanha, Brasil, Marrocos, Espanha e Bélgica registraram (6%) cada, Argélia, (5%), enquanto os visitantes do Irã, República Checa, Nigéria e Palestina foram de (4%) cada país.
Diversos grandes grupos vieram dos EUA, incluindo uma representação do prestigiado MIA (Marble Institute of America), que levou 40 representantes, todos empresários do setor que se reuniram para o encontro do Conselho de Administração.
Fizeram parte da delegação brasileira – liderada pelo prefeito de Barra de São Francisco, Waldes Cavalcanti - empresários e governantes do Estado do Espírito Santo, que atenderam ao convite do prefeito de Carrara, Angelo Zubbani.
Promover o mármore como um produto distinto
Especialistas do setor discutiram estratégias para apoiar e reforçar a qualidade dos materiais locais e da região, por ocasião da CarraraMarmotec, com a promoção de uma série de eventos com a colaboração estratégica do grupo Sole 24 Ore.
De acordo com o diretor da Feira, Paris Mazzanti, o objetivo deste projeto é criar um modelo para promover o mármore como um produto distinto, através de métodos e instrumentos que permitam a perfeita comunicação entre o setor de rochas, especificadores e consumidores. “Este ano, procuramos selecionar temas e palestrantes que pudessem contribuir de forma significativa para a promoção do mármore, com foco nas experiências bem-sucedidas das empresas. Os eventos foram rea-lizados durante três dias com o objetivo de contribuir com idéias para serem integradas em estratégias e promoções”.
Entre os temas abordados: “Redescobrir as vantagens do material; modelos para a promoção e manutenção dos produtos diferenciados”, moderado por Claudio Bonomi, vice-editor da Pianetahotel. Os tópicos foram discutidos em conjunto com o público e versaram sobre fiscalização e identificação das prioridades, reforço da produção com foco na qualidade, desenvolvimento de novos produtos e processos, ferramentas de comunicação mais eficazes e ações para os produtos locais, certificação de qualidade e sistemas de gestão ambiental.
Outro tema abordado foi a “Qualidade fora do comum”, com palestra ministrada por Bruno Cortigiani, fundador e presidente da Associação “L’arte Del vivere com lentezza”(A arte de viver lentamente).
Lorenzo Marini (da Lorenzo Marini Associati ed) abordou o tema “Como comunicar valores”, enquanto Ornella Bignami, falou sobre as tendências atuais.
“A comunicação com a área local: casos e ferramentas de gestão para revitalizar a área industrial”, teve como mediadora Donatella Bollani, que ressaltou que “hoje, tentar manter a competitividade exige a implementação de estratégias locais de promoção econômica e social, que visem melhorar a qualidade de vida, bem como a promoção de investimentos”.
Bollani reforçou ainda que o marketing territorial é indispensável para aproximar oferta e demanda, uma vez que o desafio real da economia italiana é a combinação de produtos e região.
Os debates foram finalizados, com uma mesa redonda sobre a adoção de ferramentas e técnicas que permitam a correta percepção dos valores de uma marca forte como o mármore.
O tema sustentabilidade, grande preocupação do mundo globalizado, não podia ficar de fora, e foi abordado na palestra “Valorizando e comunicando a sustentabilidade: marketing verde”, ministrada por Alessio Alberini Greenbean, da Communications Agency.
MAA: marble realça arquitetura
O MAA, organizado pela Internazionale Marmi e Macchine Carrara, tem como objetivo promover e premiar a utilização dos mármores na arquitetura contemporânea em todo o mundo. Os vencedores dos prêmios internacionais Marble Arquitetura - 25 anos foram: Oslo Opera House, o interior de um grande hotel de Milão; Piazza Santa Maria Novella; e Piazza Bad Kissingen, consideradas as obras mais belas dos últimos 10 anos.
“Para o “Silver Edition”, estendemos a participação a todos os projetos concluídos, nos últimos 10 anos, em todos os paí-ses do mundo. A qualidade e o número de participantes nos permitiu ver a vitalidade e a excelência dos resultados de um universo de arquitetos e designers que têm mostrado habilidade especial na utilização da rocha natural.
Giorgio Bianchini, presidente do IMM, ressaltou que graças às novas tecnologias, está havendo a redescoberta da rocha natural com novos usos; e estilistas estão exibindo suas habilidades no uso de materiais antigos, como o mármore, de maneira moderna e contemporânea.
Como é tradição, um Grupo de especialistas, presidido por Giorgio Bianchini, foi chamado para compor o júri que incluiu: Fulvio Irace, professor na Politécnica de Milão e crítico de arquitetura; Flaviano Maria Lorusso, docente na Faculdade de Arquitetura de Florença; e Guerrieri Andreina, diretor do Instituto Italiano de Comércio Exterior, que administra o escritório de Florença.
O primeiro prêmio foi para a Ópera de Oslo, projetada pelo escritório norueguês Snohetta, um edifício que harmoniza os espaços interiores e exteriores públicos, e que utilizou o mármore branco.
Menção especial à Richard Mayer para o Ara Pacis, projeto que utilizou o travertino, considerado semelhante ao Paul Getty.
A renovação da Piazza di Santa Maria Novella, em Florença, assinada pelo arquiteto Maurizio Barabesi, foi um retorno ao projeto original da praça que havia sido perdida ao longo do tempo, e que combina a arquitetura minimalista e o design elegante sobre a rocha que cobre a praça.
A Piazza Bad Kissingen, em Marina di Massa, também foi premiada, com destaque especial para a escultura dominante por Pino Castagna, que compensa o fornecimento coerente do espaço que serve como pano de fundo para a escultura.
Na área de arquitetura de interiores, o primeiro prêmio foi para o Hotel Exedra, em Milão, projetado pelo arquiteto Ítalo Rota, onde foi utilizado o mármore Apuan.
A menção honrosa foi concedida a “225 Franklin Street”, em Boston, projetado pelo arquiteto Robert Brawn de TCC Arquitetos em Boston.
Europa sem fôlego
A economia européia em 2009 foi marcada por uma queda na produção e ao mesmo tempo por uma redução substancial das exportações e importações. No caso das exportações dos 15 países do oeste europeu, onde o setor de rochas naturais também é de crucial importância, a redução foi de 800 mil toneladas, registrando um declínio de 7,1%, mais acentuado na Itália, Espanha e Portugal. No caso de Portugal, aproximadamente, dois milhões de toneladas foram perdidos, com queda total das provisões na ordem US$ de 12.4 milhões, causando um encolhimento de 13%.
A balança comercial européia do setor de rochas permanece positiva, mas em um ritmo muito menor que a tendência mundial. Longe da calma de 2008, devemos ressaltar que no velho continente houve em todo o território uma pequena movimentação, com a única exceção apreciável em relação às importações de um pequeno país, Luxemburgo.
A maior preocupação da Europa deve ser no contexto de um mercado mais maduro, e o fato de que o consumo unitário é consideravelmente maior do que a média global, ao mesmo tempo, no contexto dos investimentos para produção e promoção e na queda brusca de crédito. A crise do transporte marítimo, que nos últimos meses do ano foi realmente sentida, não foi tanto como causa, mas sim como efeito.
O comércio europeu da pedra calcária bruta caiu 2,3% nas exportações e 5,1% nas importações, enquanto as rochas silicosas mostraram uma diminuição de 3,5% nas exportações e 16,3% nas importações, sendo mais acentuadas na Itália e Espanha, mas com algumas exceções apreciáveis como a Grécia.
Em relação à Grécia, os materiais semi-acabados apresentaram um aumento de 1,4% nas exportações, devido principalmente às contribuições de Portugal e Alemanha; mas, as importações confirmaram a mesma situação geral, com uma queda de 10,2%.
Os materiais acabados tiveram uma redução de 6,6% nas exportações, enquanto a ardósia registrou diminuição de 12,8%, prejudicando, sobretudo, a Espanha, o maior produtor europeu deste material.
A situação dos valores médios por unidade do produto não reflete a quantidade comercializada, evidenciando uma tendência de recuperação, tanto no âmbito da rocha bruta como do produto acabado.
O comércio dos blocos e chapas, embora completamente diversificado, em função das muitas variações de cores e da tecnologia usada, tem sido caracterizado principalmente por variações positivas de preço.
O caso da Itália
A apreensão sobre o processo de crescimento da economia global, uma característica do setor de rochas naturais durante o ano de 2008, não acabou. Apenas alguns países apresentam uma tendência contrária, não um episódio isolado, mas uma repetição freqüente. Mesmo sendo diversificado de acordo com o tempo e o lugar: este é o caso da África do Sul, que decidiu aderir a uma estratégia rígida de controle da qualidade de produção; e da Grécia que tem que negociar com a forte concorrência da Turquia, país que está livre de constrangimentos ambientais e de gargalos de distribuição e tem valorizado seletivamente suas reservas.
Na Itália, por outro lado, a situação de estagnação tornou-se crônica para a desgraça da antiga líder mundial, a participação do mercado está sendo reduzida progressivamente, registrando uma diminuição substancial especialmente nas exportações, começando pelos materiais beneficiados.
Com aproximadamente oito milhões de toneladas extraídas ao ano, equivalente a 7,5% do total mundial, a Itália caiu para o quarto lugar na classificação global na produção de rochas naturais. Lideram o ranking, China, Índia e Turquia.
No que se refere às importações de blocos, a situação da Itália é extremamente crítica, com redução de 200 mil toneladas/ano, o que denota a ociosidade dos equipamentos de serrar e polir. No mesmo período, as importações de produtos acabados aumentaram, aproximadamente, meio milhão de toneladas. A Itália está na contramão da tendência global, ao contrário de outros países europeus, onde os índices apontam para sinais de recuperação.
Alguns mercados tradicionais para exportações de rochas italianas foram perdidos. As exportações para os Estados Unidos, por exemplo, foram reduzidas a menos de um quinto.
No entanto, as razões para a estagnação do mercado italiano vão além da crise econômica global. Passam pela falta de infra-estrutura, restrição ao crédito, investimentos em promoção e marketing, entre outros, que vêm sendo parcialmente contornados pelas feiras setoriais.
No caso de países que não pertencem à União Européia, como a Noruega, o sucesso dos seus materiais, sobretudo, no mercado chinês, vem garantindo equilíbrio ao setor, tanto nas importações como nas exportações.
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