foto: Felipe Abe

Arquiteto graduado pelo Centro de Estudos Superiores de Londrina (UNIFIL). Abriu seu escritório em 2001 no Paraná, que logo foi transferido e fez acontecer em São Paulo (SP).

Desde 2017, o arquiteto atravessou fronteiras e também estabeleceu uma filial em Nova York. Recentemente, Torres foi o único latino-americano a aparecer entre os 100 designers de interiores mais influentes do mundo.

Arquiteto “desde sempre”, Guilherme Torres nem se lembra de quando decidiu seguir os caminhos da profissão. Ele conta que desde criança projetava compulsivamente e que o ofício foi se desenvolvendo com o passar dos anos e com as especializações. Além de arquiteto, também se tornou designer e conquistou o Brasil e o mundo com seus projetos característicos e criativos.

Guilherme Torres é um perfeccionista. É assim que começa sua descrição no site do estúdio que leva seu nome e tem filiais em Londrina, São Paulo e Nova York. Com pouco mais de 20 anos de profissão, construiu um trabalho que hoje é reconhecido mundialmente pela exaltação à beleza da arquitetura brasileira contemporânea e pelo uso de materiais que nos colocam em contato com o elementar: tijolo, concreto e pedras. E levar a beleza brasileira para o mundo é uma das premissas do arquiteto, que conta nessa entrevista os desafios e encantos de se trabalhar com materiais como as rochas ornamentais, além de ressaltar a importância da indústria de extração e beneficiamento do setor se voltar para o mercado interno. “Seria um contrassenso não fazer uso dos profissionais brasileiros como potenciais embaixadores de nossas belezas”, ressalta.

Entrevista

O QUE O MOTIVOU A INGRESSAR NA ARQUITETURA E NO DESIGN, INCLUSIVE DE MÓVEIS?
Sempre quis ser arquiteto, quando criança eu projetava – não desenhava -compulsivamente. Já o design foi algo que aconteceu incidentemente, a arquitetura me levou a ele.

PARA GUILHERME TORRES, O QUE É ARQUITETURA?
É um mistério ao qual dedico minha vida para desvendá-lo.

PEDRAS, MADEIRA E CONCRETO SÃO PREDOMINANTES EM SEUS PROJETOS. POR QUE USAR ESSES MATERIAIS?
Sempre fui sustentável, antes do verbete entrar na moda. Aprecio a simplicidade calculada que consigo extrair unindo um olhar contemporâneo a técnicas vernaculares.

ESPECIFICAMENTE SOBRE ROCHAS ORNAMENTAIS, HÁ ALGUM MATERIAL QUE VOCÊ GOSTA MAIS DE TRABALHAR? POR QUÊ?
Eu adoro pedras brasileiras. Todas.

QUAIS PROJETOS DESENVOLVIDOS COM ROCHA ORNAMENTAL ESTÃO NO TOPO DE SUAS OBRAS?
Na Tree House usei só granito levigado; na AS House, mármore branco paraná e numa CasaCor PR, usei mármores exóticos do Espírito Santo pelos quais me apaixonei.

ALGUNS ARQUITETOS RECLAMAM DA FALTA DE ACESSO AO VASTO MATERIAL DAS INDÚSTRIAS DE ROCHAS ORNAMENTAIS DO PAÍS – O BRASIL É O MAIOR EXPORTADOR DO MUNDO – ASSIM COMO DE ESPECIFICAÇÕES DE MATERIAIS. COMO VOCÊ ENXERGA ISSO?
Eu sou um pesquisador por natureza. Sempre peço que me enviem os materiais mais “fora de moda” possíveis. Me encanta a possibilidade de apresentar esses materiais ao mercado com o respeito que eles merecem.

EM SEUS PROJETOS HÁ TAMBÉM A DECORAÇÃO COM MÓVEIS CONTEMPORÂNEOS ASSINADOS POR VOCÊ. JÁ TRABALHOU COM ROCHAS ORNAMENTAIS TAMBÉM?
Sempre tivemos um gargalo para a produção de móveis em rochas, que é a tecnologia. Sem recursos de beneficiamento, o que pode ser feito se reduz à montagem com chapas. Mas esta situação está mudando. Não vejo a hora de poder criar formas livres em rochas.

RECENTEMENTE VOCÊ PARTICIPOU DE UM EVENTO DE LANÇAMENTO DA VITÓRIA STONE FAIR, FEIRA DO SEGMENTO QUE SERÁ REALIZADA EM FEVEREIRO DE 2020, NO ESPÍRITO SANTO. ACREDITA QUE ESSES EVENTOS POSSAM SER IMPORTANTES PARA APROXIMAR ARQUITETOS DA INDÚSTRIA DE ROCHAS? COMO ENXERGA ISSO?
Considero fundamental que a indústria de extração e beneficiamento de rochas se volte para o mercado interno. Seria um contrassenso não fazer uso dos profissionais brasileiros como potenciais embaixadores de nossas belezas.

QUAL É A IMPORTÂNCIA DA INOVAÇÃO NA ARQUITETURA NOS TEMPOS ATUAIS?
Hoje estou completamente voltado para o desenvolvimento e implantação de tecnologias renováveis para o setor. Mais que nunca temos que nos responsabilizar pelo impacto ambiental. Decidi abrir mão de técnicas que domino e pelas quais sou reconhecido, como o concreto, para reaprender a projetar usando materiais leves e de baixo impacto ambiental. Estou adorando.

ACREDITA QUE SEM MUITO DINHEIRO NÃO É POSSÍVEL TER ACESSO À BOA ARQUITETURA?
Sim, acredito. Porque no nosso país, o essencial é visto como acessório ou luxo. Vivemos abaixo do mínimo, e isso tem que mudar.

QUAL FOI A MARCA DO STUDIO GUILHERME TORRES EM 2019 E QUAIS SÃO AS PERSPECTIVAS PARA 2020?
2019 foi o ano no qual comecei a colher os primeiros frutos desta minha nova abordagem projetual, no qual tive um feedback incrível. Para 2020 vem uma nova safra de casas com pegada de carbono quase zero. Estou muito empolgado!