Máquinas: capacidade tecnológica & inovatividade

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Divulgação / Rexfort

O texto da edição janeiro/fevereiro nos permite iniciar uma reflexão sobre a necessidade de absorção de capacidades tecnológicas. Trouxe a discussão uma abordagem de sobrevivência e crescimento relacionado à capacidade da empresa de inovar e se diferenciar de seus concorrentes frente às rápidas mudanças do meio interno e externo. Tais capacidades abrem frente a possibilidade de desenvolvimento de novos produtos, exigindo organização, aquisição e domínio de novas tecnologias.

A frase marcante na última edição foi: “Cada empresa possui sua própria jornada no caminho de seu aumento de capacidade tecnológica, mas a necessidade de automação dos processos é comum a todos”. Este será o ponto de partida deste texto. 

Ao longo dos últimos 15 anos houve um salto tecnológico na cadeia produtiva do setor de rocha ornamental. Ao se observar este setor sob o aspecto de cultura adquirida em automação de processo, é possível perceber que há algumas capacidades tecnológicas incorporadas de forma macro. Por exemplo, nas marmorarias, onde o processo de polimento das bordas é um conceito de automação absorvido e consolidado. Para esta automação é necessário uma polidora de borda automática, equipamento que possui produção nacional de alta qualidade, inclusive é exportado para os Estados Unidos e para Europa. 

Imagem de jogo de vídeo game

Descrição gerada automaticamente com confiança média

A poliborda é um equipamento que se tornou tão necessário para a marmoraria quanto uma serra convencional. Ela por si não torna a empresa diferenciada em relação à concorrência. Mas não possuir este processo automatizado deixa a empresa extremamente enfraquecida frente às disputas de preço, prazo de entrega e qualidade. Isso faz com que ela seja uma máquina indispensável, uma capacidade tecnológica que toda a marmoraria necessita incorporar para sua sobrevivência, indiferente do tamanho e do momento.

Também é possível perceber uma evolução da tecnologia no processo produtivo de corte, com dois equipamentos que estão mais presentes nas marmorarias, a serra ponte e a serra para cortes 45 graus.

Uma imagem contendo ferramenta, caminhão, pequeno, mesa

Descrição gerada automaticamente

 O acabamento, que substitui o duplo reto em muitos projetos, criou uma nova demanda, bem como uma nova necessidade de habilidade comum ao marmorista, que é o corte 45 graus. De forma gradativa e natural surgiu a automação para este processo, para se atingir padronização de produto e velocidade de produção.

A automação de cortes e usinagens nas chapas é uma das opções na busca de gerar mudanças e se diferenciar da concorrência. Para tanto, há a necessidade da empresa fazer uso de sua capacidade de inovatividade. Atualmente ao se falar em automação de corte logo vem a roda de conversa a serra ponte, todavia é possível avançar com uma perspectiva digital e mais ampla sobre o assunto, dando relevância inicialmente a imagem da chapa, como ponto de partida para um corte ou uma usinagem. Corte este que pode ser feito inclusive de forma híbrida, disco de serra conjugado com bico de corte com jato d’água.

Quando partimos para a digitalização da chapa, entramos no verdadeiro universo da indústria 4.0, e da possibilidade de agregar valor ao produto e propriamente gerar novos produtos, serviços e experiências ao consumidor.

Acompanhe esta sequência de passos:

  1. digitalização em tamanho e proporção real (scanner) da chapa; 
  2. aplicação da chapa específica digitalizada sobre o projeto arquitetônico; 
  3. plano de corte com software de CAD sobre a imagem digitalizada aplicada no projeto; 
  4. uso de software CAD/CAM para planejamento de corte em máquina; 
  5. corte em equipamento com comando CNC que possui câmera integrada para identificação da chapa e de sua posição sobre a mesa de corte.

O resultado é uma verdadeira cadeia que gera valor, iniciando no fabricante da chapa/distribuidor ou mesmo na marmoraria, através do processo de scanner em tamanho e proporções reais, e finalizado no cliente com a aplicação da orientação correta e única escolhida pelo idealizador do projeto. 

Tive a oportunidade de visitar algumas empresas com times e gestores que possuem certo grau de inovatividade e incorporaram este processo completo. Estes buscaram ao longo de suas jornadas se diferenciar através de tecnologias em automação e softwares, ampliando suas capacidades tecnológicas e, por sua vez, melhorando suas margens, fazendo uso do conceito de indústria 4.0 parcialmente ou em sua integralidade.

A última década trouxe com velocidade o lançamento de novos materiais, muitos destes exóticos, que inclusive representam um grande desafio para toda a cadeia da rocha, desde sua comercialização até sua aplicação. A sequência acima apresentada possui um encaixe aderente para auxiliar no aumento do consumo deste tipo de material, mas sem dúvida é necessário ampliar a capacitação dos times bem como dos idealizadores dos projetos arquitetônicos, para uso de softwares com recursos de arquitetura e que conversem com o processo produtivo das marmorarias.

Seria possível então imaginar a sequência apresentada na forma de produto com um olhar comercial. Tudo se inicia com um especificador que deseja criar um projeto exclusivo e para isto irá utilizar um material exótico. Ao definir as tonalidades e os padrões geométricos que mais se encaixam no projeto, o idealizador teria um catálogo de imagens que apresenta cada uma das pedras em alta resolução. Ao escolher a imagem mais adequada, ela pode ser aplicada de forma fidedigna sobre seu projeto em 3D. Após validar a posição que entrega a maior elegância e beleza ao projeto é gerada as linhas de corte que ficam de forma digital marcadas sobre a imagem. Há um ponto importante a ser observado neste momento: não está sendo privilegiado o aproveitamento e sim o valor entregue pela beleza única da pedra.

As imagens com as linhas de corte, por sua vez, são enviadas à marmoraria, que necessita possuir software específico para sua leitura e programação em máquinas que possuem capacidades de processar as mesmas. Com o programa de corte pronto, é o momento da operação, e neste momento entra a tecnologia de visão que está incorporada na máquina para identificar e comparar/sobrepor a imagem com as linhas de corte sobre a peça e assim executar o corte exatamente nos pontos determinados pelo projeto.

Este texto trouxe à luz a discussão de um conjunto de tecnologias e máquinas, entre elas, a poliborda que é necessária para a sobrevivência da marmoraria, bem como uma visão ampla da possibilidade de inovar e se diferenciar através da aquisição e incorporação de equipamentos e processos de corte e usinagem, apoiados por imagens da rocha em alta resolução que estão alinhados com a indústria 4.0. Compreender qual o momento e quais capacidades tecnologias apresentadas podem ser adaptadas e incorporadas, respeitando a jornada de cada empresa, pode ser uma das oportunidades de desenvolver uma nova oferta de produto que diferencia a empresa de sua concorrência.

Márcio J. Migliavacca

CEO & Founder - REXFORT
Engenheiro mecânico e mestre em estratégia de produção pela UCS - Universidade de Caxias do Sul
Contato: marcio@rexfort.com.bt
www.rexfort.com.br