Rochas Ornamentais x Superfícies artificiais para bancadas

0
264
Reprodução / Mhmpedras

A utilização de superfícies de revestimento na construção civil é bem abrangente e essencial para o acabamento final de uma obra. A sua aplicação inclui novas construções ou reformas; áreas externas ou internas; pisos, paredes e até mesmo teto. A combinação de diferentes tipos de materiais, formas, acabamentos, bem como o fator iluminação, permitem que tenhamos um número infinito de resultados, ou em outras palavras, possibilidades de escolhas.   

Nos Estados Unidos, que é o principal mercado de chapas de rochas ornamentais das empresas brasileiras, a substituição de bancadas está presente em 90% das reformas de cozinha (Houzz 2021). Este mercado específico, tende a se manter em alta, devido a imposição de nos mantermos mais tempo em casa e nos voltarmos mais para a família e para o lar. Considerando apenas este mercado específico, e de forma bastante simplificada, podemos listar os seguintes materiais como mais comuns para utilização em bancadas: mármores, granitos, quartzitos, quartzo e porcelana. Os três primeiros naturais e os dois últimos artificiais ou manufaturados. Estes materiais citados, coexistem no mercado e competem entre si. Historicamente, para o mercado de chapas, temos que o aparecimento ou disponibilidade veio primeiro com o mármore, depois granito, em seguida o quartzo, posteriormente o quartzito e mais recentemente as chapas de porcelana de grande formato. 

Quais são os fatores que distinguem estes materiais? Em linhas gerais, considerando o produto já em chapas temos: (a) resistência físico-química; (b) aparência; (c) custo de fabricação final e (d) preço do material propriamente dito. Claro que podemos subdividir esses fatores:

  • Com relação a resistência físico-química, de modo prático temos: porosidade (se mancha ou infiltra alguma coisa. Vinho ou óleo por exemplo), resistência a abrasão (se arranha ou desgasta), tensão na flexão (com que facilidade se quebra, principalmente no transporte), reação a ácido (se cria marcas), entre outras;
  • Com relação a aparência temos: cor (no momento atual, quartzos, porcelanas e mármores com fundo mais claro ou branco, em geral, vendem mais), movimento (materiais mais bem distribuídos, em geral, vendem mais), repetibilidade de obtenção (materiais com uma certa padronização vendem mais);
  • Com relação ao custo de fabricação, atualmente, os quartzos são os mais baratos de serem produzidos, depois os granitos, na sequência os mármores e quartzitos, por último as porcelanas de grande formato. O motivo do custo de fabricação do quartzo ser menor é decorrente, em primeiro lugar, da quantidade de resina que este possui, aproximadamente 7% em peso e 30% em volume, fazendo com que seja um material que tolera muito o erro de fabricação. Isso é muito vantajoso, pois requer uma mão-de-obra menos especializada para produção. Essa mesma facilidade de produção disponibiliza ainda mais fabricantes, mantendo uma alta competitividade e por conseguinte o custo do serviço baixo. Os granitos têm o segundo melhor custo de fabricação. São relativamente fáceis de trabalhar e também aceitam, de forma geral, restaurações na fabricação. O custo de fabricação de mármores e quartzitos são semelhantes. Apesar da grande diferença de dureza, os mármores, por serem mais delicados, exigem também muito mais cuidado, o que é compensado no maior preço da fabricação. Por último, temos o maior custo de fabricação sendo o das chapas de porcelana. Estas praticamente não aceitam erros por parte do fabricante. Qualquer descuido, elas podem trincar. Esta característica aparece devido ao tensionamento existente gerado pelo processo de produção da chapa de porcelana na indústria. A temperatura de industrialização da porcelana é em torno de 10 (dez) vezes superior à do quartzo;
  • Finalmente, temos o preço do material, propriamente. De modo geral, temos os granitos como os mais baratos, depois os quartzos. Os preços dos mármores e quartzitos são muito elásticos podendo variar muito, de acordo com origem e material. As chapas de grande formato de porcelana possuem preço superior aos do quartzo, com tendência a cair.

Cada um destes produtos tem suas vantagens e desvantagens. As discussões são grandes sobre qual é melhor e cada indústria procura elementos que possam utilizar para defender o seu lado. O que se vê na prática é que produtores de quartzo compram rochas ornamentais para complementar sua linha e um número cada vez maior de produtores de rochas ornamentais compra materiais artificiais com esta mesma finalidade. Mas o que explica essa lógica? O motivo é que eles são complementares do ponto de vista empresarial e que podem e vão coexistir no mercado. Mas então o que define qual será escolhido pelo consumidor final? Logicamente, o produto que reúne os melhores atributos, considerando que cada cliente pesa diferentemente o que é mais importante. Por exemplo, eles podem se perguntar: (a) Prefiro sacrificar a cor para ter um produto mais resistente? (b) Até onde comprometer a resistência para ter um material com fundo mais branco e que combina melhor com meus armários? (c) Meu orçamento é limitado, então qual a opção com menor custo possível?

O principal ponto nesta abordagem toda é que, independentemente das perguntas, o primeiro fator que vai pesar na decisão de compra é a aparência. E a aparência é o que o cliente está vendo na mídia, nas redes sociais, nas fotos de referência ou de inspirações do seu arquiteto, designer ou decorador.   

O papel da mídia é de fundamental importância para apresentar novos materiais, mostrar a sua aplicação ou ajudar a criar uma nova tendência. Quanto mais é visualizado, principalmente em sua aplicação final, mais provável de se tornar objeto de desejo e, quem sabe, ser o material escolhido diante da vasta possibilidade de escolhas.


Rodrigo Moreno Gava é Engenheiro Civil
e Mestre em Engenharia de Transportes. 
Gerente de Vendas da Magnitos
para os Mercados Asiático e
Costa Oeste dos EUA.