Evento detalha estudo sobre a inserção das rochas brasileiras no mercado árabe

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O estudo de mercado “Emirados Árabes Unidos: Rochas Ornamentais”, lançado neste ano pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) foi tema do Stone Summit, realizado na quinta-feira, 02 de setembro. Durante o evento, transmitido diretamente de um estúdio montado na empresa Super Clássico, localizada entre os municípios de Cachoeiro de Itapemirim e Atílio Vivácqua, na região sul do Espírito Santo, especialistas em negócios internacionais da Apex-Brasil e empresários convidados discutiram sobre os principais pontos apresentados no material, destacando as oportunidades, tendências de consumo e estratégias de negócios.

O estudo traz informações da macroeconomia, macroambiente da construção civil, consumo de rochas, comércio internacional, regulamentos, além dos canais de distribuição, desafios e oportunidades pensados a partir das ofertas das empresas brasileiras. Segundo a analista de negócios internacionais da agência nacional, Carla Carvalho, a escolha pelos Emirados Árabes Unidos (EAU) aconteceu por meio de parceria entre a agência e o Centro Brasileiro dos Exportadores de Rochas Ornamentais (Centrorochas). “Em conjunto com o Centrorochas, a Apex-Brasil levou uma lista de 40 mercados potenciais estabelecidos de acordo com metodologias específicas e que foram analisados em diversos aspectos. Desses 40, chegou-se a oito mercados prioritários, dentre eles, estão os EAU. Eles serão trabalhados pela entidade nos próximos dois anos como parte das ações do projeto setorial It’s Natural – Brazilian Natural Stone, celebrado entre as duas instituições nacionais”, afirmou.

Participante ao lado de Flávia Milaneze, apresentadora do evento, o vice-presidente do Centrorochas, Fabio Cruz, comemorou a harmonia entre vários pontos destacados no estudo com as ações do projeto setorial. “Essa convergência está, principalmente, em um dos objetivos do projeto que é a ampliação de mercado, mas casa bem também com a descentralização das exportações”, explicou.

Posicionamento e presença

O tema sustentabilidade está sendo altamente discutido no mercado árabe, atraindo a atenção das autoridades locais e empresas. Conectada direto do escritório da Apex-Brasil, em Dubai, a business analyst, Sabrina Cenni, alertou sobre a importância desta preocupação, mas sem esquecer de todo trabalho que precisa ser feito para posicionamento de mercado. “Eles almejam ser o país mais sustentável do mundo. Por isso, estão desenvolvendo projetos com foco na sustentabilidade, as chamadas construções verdes. No entanto, entendemos que outros temas como logística, preço e, principalmente, a imagem dos produtos brasileiros aqui precisam ser trabalhadas antes. Empenhar-se no posicionamento e presença para promoção das rochas brasileiras”, reforçou.

Rico em detalhes, o estudo elaborado pela Euromonitor, traz especificações aduaneiras e diretrizes que devem ser seguidas pelas empresas exportadoras. “Às vezes a gente fala que Deus é brasileiro e deve ser mesmo, porque em abril de 2020, os EAU colocaram tarifas antidumping muito pesadas sobre praticamente todos os itens de rochas ornamentais, e até itens cerâmicos, com origem na Índia e China, principais concorrentes locais dos produtos brasileiros. Além das taxas normais, há cobranças extras. Essas tarifas variam de 23,5% a 106%. Então, abriu-se aí uma janela que pode ser aproveitada pelos produtores brasileiros”, alertou o analista de negócios internacionais da Apex-Brasil, Glauco Costal.

O setor de rochas do Brasil tem atuado em vários países e mercados fornecendo essencialmente blocos e chapas. Para o diretor comercial da Magban, Gonsalo Machado, o momento precisa ser mais bem aproveitado. “O setor ficando mais competitivo, diante o antidumping que está acontecendo, eu acho que as empresas precisam pensar em dar um passo à frente oferecendo produtos com maior valor agregado, como, pelo menos, os recortados, que são mais simples de se fazer. Além de, é claro, chegar mais perto e entender o que o mercado quer. Diversidade nós temos, sejam mármores, granitos ou quartzitos”.

Para a diretora comercial da Super Clássico, Mariana Scaramussa, o grande diferencial do Brasil é seu solo. “Nosso país conta com grande diversidade mineral, o que agrega no nosso portfólio de pedras ornamentais. Temos materiais de diversos tipos, cores e texturas. Estamos prontos para atender aos mercados mais diversificados”.

O diretor de exportação da Polita Natural Stone, Cezar Guio, ressaltou sobre a importância do estudo para as empresas do setor. “Esse estudo nos dá um norte muito mais sólido, porque nos ajuda a economizar energia e a trabalhar de forma mais assertiva no mercado em questão. Cabe a cada empresa estudar a melhor estratégia para seu negócio”, afirmou.

Missão brasileira em Dubai

Como forma de complementar a missão comercial que está sendo organizada pela Apex-Brasil entre os dias 12 e 15 de setembro, durante a Big 5 Dubai 2021, o It’s Natural – Brazilian Natural Stone promoverá duas palestras técnicas como forma de promover as rochas brasileiras no mercado árabe. Serão dois eventos, um voltado a arquitetos e designers e outro para compradores locais. “Optamos por levar um profissional brasileiro conhecido mundialmente por fazer obras utilizando rochas ornamentais brasileiras e vamos oferecer conteúdo técnico explicando o uso e melhorando a percepção dos players locais sobre a nossa capacidade operacional”, detalhou Fabio Cruz reforçando que o estudo apontou também que a percepção do mercado árabe é que o Brasil não tem capacidade operacional instalada. “Precisamos mudar isso!”, concluiu.

O estudo de mercado “Emirados Árabes Unidos: Rochas Ornamentais” está disponível em: http://www.apexbrasil.com.br/inteligenciamercado/estudosdeoportunidadesdemercados