Resinagem – Cuidados que garantem a beleza e a durabilidade secular das rochas naturais

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Assim como as pessoas mantém uma rotina de skincare para prolongar a beleza e saúde da pele e para retardar o envelhecimento, ou como é feito com as frutas, joias e até automóveis, que passam por um processo de enceramento/cuidado, para ficarem mais atrativos aos olhos dos clientes, as rochas ornamentais passam por uma série de tratamentos para se manterem belas e resistentes por mais tempo.

Quem vive o dia a dia do setor sabe que o processo de resinagem é fundamental para a melhoria da qualidade das rochas, mas a importância das resinas vai muito além.

Segundo Alex Raupp, administrador da Adria Brasil, a aplicação de resinas atua em duas principais vertentes: embelezamento e estruturação. “O processo de resinagem é fundamental para a resistência das chapas, pois ao banhar a rocha no produto, todas as microfissuras e trincas são preenchidas, tornando o material ainda mais sólido. Por outro lado, a resina também é ideal para intensificar cores, deixar a rocha mais homogênea e extrair o melhor possível da beleza natural da pedra, que está ali e só precisa ser colocada a mostra”.

Quem compartilha sua opinião é José Roberto Bazilio, da Tenax do Brasil. O profissional lembra que as resinas podem estar presentes desde as pedreiras até o acabamento final das rochas e que são fundamentais para agregar valor e elevar o patamar dos materiais brutos, para verdadeiras joias. 

“Além do uso em chapas, que são de extrema importância, também vemos a utilização dos produtos nas pedreiras. Isso ocorre com rochas que possuem índice elevado de perda, por conta de trincas e fissuras, e se faz necessário o envelopamento com resinas. É impressionante a qualidade que se alcançou no processamento dos materiais brasileiros com essa tecnologia”, afirma José Roberto.

Após a chegada das resinas de poliéster e as de base epóxi no mercado nacional no início dos anos 1990, através da Tenax do Brasil, um mundo de possibilidades se abriu para o setor. Mármores e granitos que antes não eram aproveitados, por não terem beneficiamento viável, passaram a ser explorados, expandindo a forma de marmoristas e arquitetos trabalharem com rochas exóticas e super-exóticas.

Área de beneficiamento Santo Antonio – Foto: Maurício Sabino

“Lembro de alguns de nossos clientes que tinham pedreiras de materiais com muito feldspato e mica, e no polimento acabavam trincando e abrindo. Após a chegada das novas resinas, principalmente as de epóxi, eles conseguiram aproveitar os materiais que antes não eram utilizados e expandir ainda mais sua gama de produtos”, pontua Alex Raupp.

As resinas de base epóxi também abriram caminho para o mercado internacional, que passou a valorizar os materiais produzidos no Brasil. “Sem as resinas, principalmente as de base epóxi, a maioria das rochas não teriam vida no mercado. A resina é o insumo de maior agregação de valor e viabilidade comercial. Ela colocou o Brasil na rota do mundo das rochas ornamentais acabadas e viabilizou centenas de tipos de materiais com valor agregado superior, gerando mais empregos e mais riqueza”, afirma José Roberto.

“A resina foi aquele passo que o mercado precisava para entrar numa nova era, senão ainda estaríamos presos comercializando produtos básicos”, completa Alex.

Atualmente no Brasil as principais resinas utilizadas no setor de rochas ornamentais são as de base epóxi e poliéster, sendo a última pouquíssima usada. “Existem outros produtos chegando, mas o mercado dominante mesmo é a resina epóxi, por efeito de custo e qualitativo. Os produtos que a gente fabrica hoje são infinitamente mais avançados e desenvolvidos exclusivamente para rochas naturais, nem se compara ao que a gente tinha disponível no mercado há cinco anos”, conta Alex.

Área de beneficiamento Grupo Qualitá

O mercado produtor de insumos está em constante pesquisa e produtos cada vez mais ecológicos estão sendo pensados para solucionar obstáculos no setor. Resinas à base de água, de milho e outros vegetais estão em desenvolvimento em laboratórios na Europa, por exemplo.

“Além do processo produtivo ser muito mais limpo do que era antigamente, as matérias-primas usadas também mudaram muito. Com advento de nanotecnologia, solventes a base de produtos menos tóxicos e menos evaporativos, a gente consegue fazer esse processo sem agressividade ao ambiente e ao operador que lida com esses materiais”, conta Alex.

Telagem de chapas

O processo de resinagem de chapas também inclui a telagem, que consiste na aplicação de uma tela de fibra de vidro na parte que não será polida, para aumentar a resistência à flexão, evitando possíveis quebras ou trincas. Nesta etapa, as chapas passam por um processo de desumidificação e depois é aplicada a resina.

“Você faz um revestimento na parte de trás da chapa, com uma resina e uma tela de fibra de vidro, para dar resistência e tornar a chapa anti-estilhaçamento. Esse processo é muito importante para o transporte da rocha, pois ao ser pendurada, e caso aconteça dessa chapa quebrar, ela não vai estilhaçar pois a tela segura as partes unidas mesmo quebrada”, explica Alex Raupp.

Processo de telagem da Adria Foto: Paulo Sergio Raupp

Envelopamento de blocos

Outro processo em que a resinagem aparece na indústria é no envelopamento de blocos. Primeiramente, o material precisa estar totalmente limpo para passar por esse procedimento. As empresas utilizam nessa etapa uma massa à base de resina e calcário e envolve o bloco com uma manta de fibra de vidro. 

Fábio Lima, da Quality explica que primeiro é aplicada a massa no bloco, depois a manta é envolvida e, posteriormente, é aplicada mais uma camada de massa. Às vezes um bloco precisa de mais de uma camada de manta, isso varia de acordo com o material. Essa massa, após a aplicação fica dura, como se fosse pedra.

Segundo Fábio , geralmente, os blocos com trinca são envelopados. “Depois que ele é serrado, esse processo vai evitar a quebra de chapas ou abertura das trincas. Tem blocos que envelopamos por estética e outros para não quebrar os cantos das chapas, o que pode ser motivo para dar descontos na hora da negociação”, conta.

“O envelopamento é utilizado como uma garantia. Hoje em dia muitas pedreiras vendem os blocos, mas só garante se o cliente envelopar. Serrar o bloco envelopado tem uma chance maior de não ter perda de chapas ou de quebra de blocos, por exemplo” finaliza Fábio.

Blocos com envelopamento feito pela Quality

É válido lembrar que para manter a beleza das rochas naturais a longo prazo, após o processo industrial, o consumidor final também pode usar produtos simples, de uso doméstico, como impermeabilizantes específicos para rochas naturais, que vão ajudar na conservação do material.

Com tantas novidades disponíveis no mercado, possibilidades de aplicações não faltam para arquitetos e designers explorarem ainda mais a beleza das rochas naturais em seus projetos. 

“Hoje não existe limite para a resina epóxi, a gente consegue ter uma variação para todos os materiais disponíveis. O produto que chega, a gente consegue ter uma resina capaz de melhorá-lo e deixá-lo bem acabado”, conta Alex da Adria.

Por outro lado, segundo os profissionais, ainda falta aproximação do setor de rochas com a arquitetura, principalmente para desmistificar algumas histórias difundidas ao longo dos anos sobre o uso de pedras em determinados espaços.

“Avançamos muito, mas acredito que falta melhorar a comunicação entre nós do setor com o mercado da arquitetura. Falar desse processo de resinagem como estamos fazendo, por exemplo, contribui muito para diluir dúvidas e trazer novas possibilidades para ambos atores”, finaliza José Roberto.

Área de beneficiamento Santo Antonio – Foto: Maurício Sabino