Histórias, processos e mercado

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Silvia De Tommaso lança livro ‘Valor Compartilhado: propósito e desafios de uma marmoraria’

Com quase 25 anos de experiência empresarial na Itaarte Mármores e Granitos e vasta vivência no mercado, atuando como consultora na área de gestão e estratégia, a empresária Silvia De Tommaso lançou, em 2021, seu livro ‘Valor Compartilhado: propósito e desafios de uma marmoraria’. A publicação traz passagens vividas pela empresária no setor e a mensagem de que é possível aplicar políticas de impacto social nas estratégias de negócio.

Em entrevista à Revista Rochas, a empresária conta como foi o processo de escrita do livro e as histórias que a inspiraram e a encorajaram a falar sobre o conceito de valor compartilhado.

A empresária relata que se encantou pelo mundo das rochas naturais desde a infância, quando escutava a mãe e as tias conversando, muito orgulhosas, sobre a pedreira de propriedade de seus tios em São Paulo. Mais tarde, já adulta, os caminhos da vida fizeram com que ela se juntasse ao irmão, ao primo e ao marido na marmoraria Itaarte, fundada em 1985.

Mesmo sem ainda ter os conceitos de ‘valor compartilhado’ consolidados, Silvia já manifestava a vontade de fazer uma gestão responsável e diferente em sua empresa familiar.

“Essas características de pessoas que queriam mudar o mundo estavam em mim, no Mario, no Marcelo e no Paulo. E eu sempre achei que eu poderia mudar o mundo. Passei alguns maus bocados por conta disso, porque é uma coisa que sempre foi muito natural em mim, mas acabava incomodando alguns, que eram muito conservadores”, conta.

Ao falar sobre sua relação de amor com o setor de rochas ornamentais, Silvia relembra o início da estruturação da Itaarte, que é semelhante à história de várias empresas pequenas do setor. Ela recorda as dificuldades encontradas naquela época e outras situações que o empresário ainda enfrenta atualmente no setor.

“O livro conta um pouco dessa jornada da Itaarte, que começou como a maioria das marmorarias brasileiras começam. Uma máquina usada, um espaço pequeno de 200 e poucos metros quadrados e dois funcionários que sabiam de todas as áreas da empresa. Nesse cenário você percebe que começa a empreender no Brasil porque acredita e tem força pra fazer as coisas acontecerem, mas de repente você se depara com o mundo como ele é realmente nos negócios”, relembra Silvia.

Com todo o know-how adquirido ao longo dos anos no setor, a empresária é enfática ao dizer que ainda há muito a melhorar para o desenvolvimento do empreendedorismo no Brasil.

“Nosso ambiente de negócios ainda é muito difícil. Os empresários são verdadeiros heróis, por que a gente lida com questões fiscais, tributárias e trabalhistas que não são fáceis. No primeiro momento você acha que vai empreender e no segundo momento você tem que ser advogado, contador, vendedor, precisa fazer um corte, desenhar, lidar com marketing, enfim. O fato é que o empresário precisa ter diversas habilidades e o que a gente aprende ao longo da vida é que a gente não consegue fazer tudo sozinho”, afirma a empresária.

Silvia também reforça a importância dos gestores estarem atentos quanto às habilidades e competências complementares de seus colaboradores. Segundo a empresária, o setor de rochas ornamentais precisa se conscientizar que é preciso unir forças.

“Pessoas que se complementam trazem resultado positivo para empresa e também para a sociedade como um todo. A gente ainda não vê isso no nosso setor. A gente cresce com as diferenças. O mundo dos negócios aprendeu que o que funciona é a gestão integrada. E é isso que precisamos ver no setor de rochas. Se houver respeito entre as partes, as empresas conseguem se perpetuar de forma saudável”, reforça Silvia.

Futuro otimista para o setor

Apesar das dificuldades e barreiras que o setor enfrenta para crescer, a empresária se diz otimista com o futuro. “Acho que o Brasil está passando por um momento positivo nesse sentido agora. A gente percebe que o setor de rochas ornamentais, com essa nova proposta do Centrorochas, em trazer o projeto da Apex, e envolver as marmorarias, é espetacular. É algo que no sindicato de São Paulo eu já falava lá no início dos anos 2000 com a Itaarte”, afirma.

“É a marmoraria que agrega valor para a rocha ornamental, transformando a rocha bruta em produtos que o ser humano vai utilizar. É muito bom ver a valorização das marmorarias na cadeia de produção das rochas ornamentais. Faço votos que o Centrorochas seja super bem sucedido nisso e que a gente consiga unir ainda mais o setor, mostrando o poder que temos aqui no Brasil, alavancando as exportações brasileiras”, complementa.

Parceria com a Revista Rochas

A empresária também conta da proximidade que sempre teve com a Revista Rochas e da inspiração que tinha no amigo Emanuel M. de Castro, fundador da revista.

“Ele era o cara do setor! Sempre revolucionário, pensava grande, era polêmico, me inspirava muito e me incentivava a agir como uma liderança. Ele indicou meu nome para fazer parte de uma comitiva, de pessoas do mundo inteiro, para um projeto de imersão na Itália e fui representando o Brasil no evento que falou sobre toda a cadeia de produção de rochas. Lá, tive contato com empresários do mundo inteiro”, relembra emocionada.

“Nosso trabalho conjunto foi intenso e eu não poderia deixá-lo de fora de meu livro. Conheço Felipe, Daniel e Leandro a vida toda e tenho muito carinho por essa família. Agradeço imensamente ao Felipe por ter contribuído com o prefácio da publicação e por fazer parte dessa história comigo”, agradece.

Legado para o setor de rochas

Ao falar sobre o que pretende deixar como legado para o setor, Silvia De Tommaso fala que trazer o olhar social para o objetivo de negócio é fundamental para transformar a gestão empresarial e que seu papel é compartilhar esse conhecimento com o setor de rochas, inspirando outros empresários.

“Eu acredito que o conhecimento só tem valor se é compartilhado. Essa é minha missão de vida. Colocar no livro os processos da Itaarte, como nós fazemos cada coisa, não vai tirar valor da nossa empresa, pelo contrário, vai fazer com que outras empresas façam o mesmo e a gente vai crescer junto”, pontua.

“Na hora de tomar decisões como empresária, eu não vou pensar só naquilo que vai me trazer lucro, mas também naquilo que vai trazer bem estar para sociedade ao mesmo tempo. No primeiro momento, alguém pode ver e falar, ‘ah isso é impossível, isso é complexo demais’, mas não. É só uma maneira de ver o mundo diferente. Faço votos que o setor de rochas ornamentais possa enveredar nessa área e mostrar tudo o que já faz, inspirando os outros fazerem ainda melhor” finaliza.

Livro: 'Valor Compartilhado: propósito e desafios de uma marmoraria'.
Autora: Silvia De Tommaso
Editora: Target
Valor: R$ 50,00
Vendas via email:
silvia@itaarte.com.br
Instagram: @a_itaarte