Rochas exclusivas conquistam mercado e mostram que a beleza também se encontra no incomum

Se nos dicionários a palavra ‘exótico’ remete ao que não é comum, que expressa extravagância e excentricidade, no mundo das rochas naturais, além dessas definições, ‘exótico’ também é sinônimo de exuberância estética e exclusividade.

Dono de uma estrutura geológica privilegiada e de recursos minerais abundantes, o Brasil é berço de rochas exóticas incríveis, que encantam pela beleza, organicidade, tonalidades e desenhos exclusivos. Verdadeiras obras de arte esculpidas pela ação da natureza.

Granito Super Exótico Copacabana – Santo Antônio

Versáteis e com uma gama de cores e desenhos diversificados, as rochas exóticas possuem ampla possibilidade de aplicações e paginações em bookmatch. Elas são capazes de transformar qualquer projeto em uma obra ímpar, imponente e de destaque. 

Desde painéis verticais, bancadas, mobiliários, pisos até escadarias e cubas esculpidas. Não existem limites criativos para extrair o melhor da beleza das rochas exóticas.

Segundo Abiliane de Andrade Pazeto, Tecnóloga em Rochas Ornamentais, Doutora em Geociências e Especialista de Produtos na Decolores, o termo ‘exótico’ é uma denominação comercial aplicada a todas as rochas que apresentam cores, texturas e movimentos que se diferenciam das rochas homogêneas.

Formadas a partir de diferenças nos níveis de minerais, alterações climáticas, movimentações do solo ou atividades vulcânicas, as rochas exóticas nascem de forma peculiar. Com cores especiais, tais como azul, verde, lilás ou alaranjado ou com o padrão movimentado, representado por dobras ou veios marcantes, os materiais exóticos adquirem suas características em processos geológicos específicos. 

“De forma genérica, pode-se atribuir as cores diferenciadas à ocorrência de fluidos mineralizantes ricos em elementos raros. Os quartzitos verdes, por exemplo, têm essa coloração por causa do mineral fuchsita, gerado por um fluído rico no elemento cromo. Já o padrão movimentado, pode ser gerado em processos metamórficos em que as rochas são submetidas a grande compressão, adquirindo feições dobradas ou orientadas de acordo com uma direção preferencial”, explica a especialista.

Quartzitos, granitos, mármores, pegmatitos, traquitos e uma série de outros materiais estão na lista de exóticos do Brasil. Cada um com sua particularidade, são capazes de transformar projetos arrojados e inovadores, que apostam na classe e elegância secular da rocha natural.

Granito Exótico Patagonia – Mesa de centro Joaquim – Giorgio Bonaguro

“À princípio a classificação de ‘exóticos’ aplicava-se apenas aos pegmatitos, rocha de composição granítica característica pelos cristais de tamanho gigante e comercialmente conhecida como ‘feldspato’, seu mineral mais abundante. Atualmente, os materiais exóticos não se restringem a um único tipo geológico, mas a uma série de rochas com características ímpares, seja de origem ígnea, sedimentar ou metamórfica”, explica Abiliane Pazeto

Raras, exclusivas e exuberantes. Em cada chapa uma surpresa. Sem padrões definidos, a beleza das rochas exóticas está no incomum. 

Inovação mudou os rumos da história

Além de fazer parte de projetos encantadores, as rochas exóticas também representam um capítulo importante na história do desenvolvimento do setor de pedras ornamentais do Brasil. 

Com a aquisição de novas tecnologias para industrialização das rochas, como abrasivos, fios diamantados e, principalmente, resinas, as empresas brasileiras puderam finalmente aproveitar materiais antes considerados inviáveis, por serem porosos, infiltrados e até mesmo mais frágeis.

“Devido à granulação típica e padrão movimentado, a estrutura das rochas exóticas demanda um processo produtivo mais complexo. Assim, a inserção dessas rochas especiais no mercado esteve totalmente atrelada ao desenvolvimento de tecnologias menos agressivas de extração na jazida, como o fio diamantado, além de resinas epóxi e telas adequadas para o processamento do material”, explica Abiliane Pazeto.

O divisor de águas no cenário das rochas exóticas do Brasil foi o olhar apurado para a inovação de Rodrigo Scaramussa, CEO da Santo Antonio Granitos, que em 1987 descobriu e acreditou no granito Persa. Na época, considerado frágil e sem valor de mercado, o material passou anos sem ser comercializado. 

Tudo mudou quando o empresário conheceu a tecnologia italiana de resinagem, e trouxe ao Brasil o primeiro quilo de resina, que seria o responsável por dar vida ao Persa, tornando o material resistente, rígido, de alta qualidade e baixa absorção, abrindo um caminho de sucesso para o mercado internacional. 

Granito Exótico Persa – Santo Antônio

O Persa esteve entre os principais materiais da linha de exportação da Santo Antonio por mais de 30 anos e até hoje segue no catálogo da empresa, pioneira em colocar no mercado um material exótico, genuinamente brasileiro, de beleza e qualidade exclusivas.

Na década de 1990 os materiais exóticos também atraíram a atenção do empresário Jonas Zucchi, que investiu em maquinário de ponta, mão de obra especializada e se dedicou aos materiais que já encantavam compradores internacionais, principalmente norte-americanos.

Outros empresários do país seguiram o mesmo caminho de profissionalização e investimento em tecnologias e, a partir dos anos 90, as exportações de rochas naturais brasileiras tiveram uma mudança de perfil significativa, sendo enfim possível mostrar ao mundo a beleza da rocha exótica brasileira.

Tendência que veio para ficar

As regiões Nordeste e Sudeste contam atualmente com o maior número de jazidas de rochas exóticas e super exóticas do país. Em estados como Minas Gerais, Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte é possível encontrar rochas ornamentais exclusivas, caracterizadas por combinações incríveis de nuances, cores e movimentos, que têm impulsionado as exportações nos últimos anos.

Quartzito Blue Roma – Casa Samor – Foto Camila Santos – Marmoraria Revest.

A exclusividade é uma das características que mais atraem o mercado internacional de rochas ornamentais, principalmente o norte-americano. 

“Os materiais exóticos, principalmente os quartzitos brasileiros são vistos como uma nova tendência de mercado que veio para ficar. Os arquitetos e decoradores entendem esse tipo de rocha como um diferencial para o projeto e os especificadores também veem com bons olhos a utilização desse tipo de rocha em função das suas boas características físico-químicas”, pontua Paulo Giafarov, especificador internacional de rochas ornamentais e CEO da DGG Stones.

Aos poucos, essa tendência de valorização por ‘possuir o único’, vem se mostrando com mais força no mercado interno brasileiro, despertando a atenção dos profissionais da arquitetura e também de consumidores finais.

“Do ponto de vista de um especificador, posso dizer que os materiais exóticos vieram como uma nova perspectiva para o setor de rochas ornamentais. São rochas que possuem qualidades técnicas muito boas e qualidades estéticas que nos remetem a quando estamos num museu diante de uma pintura de algum artista famoso. Esse é um o grande fator pelo qual a indústria cerâmica se esforça tanto em copiar as rochas ornamentais”, finaliza Giafarov.

Mercado promissor

Para Eduardo Lagonegro, proprietário da STA Rochas, empresa que atua há mais de 20 anos no segmento, a comercialização de materiais exóticos brasileiros vêm mostrando uma curva crescente, mas os números poderiam ser ainda melhores se houvesse uma união maior do setor na divulgação destas pedras.

Quartzito Blue Explosion – Foto Lio Simas

“Observando a nossa vivência, vemos que de um ano pra cá, o material exótico vem representando 30% das vendas no nosso depósito. Mas acredito que esse número seria muito maior se o setor se unisse e direcionasse melhor as informações de como esses materiais são extraídos e beneficiados”, conta Eduardo.

O empresário pontua que os materiais exóticos em chapas sem defeitos, bem acabadas e que permitem a paginação em open book, são itens que fazem a diferença na hora de arquitetos e designers optarem por utilizar materiais naturais em seus projetos, mas é preciso ir além da beleza das rochas.

“A gente só não vende mais exóticos brasileiros por conta do direcionamento que o próprio setor está dando. É preciso explicar aos profissionais de arquitetura que as rochas naturais além de belas, são infinitamente mais resistentes e acima de tudo, sustentáveis, se comparadas aos materiais sintéticos”, pontua o empresário.

Seja de fundos coloridos ou mais fechados, com movimentos irregulares ou desenhos mais suaves, a rocha exótica brasileira tem o poder de ir ainda mais longe e pode fazer história também na construção civil e no design nacional. 

Projeto Anik Mourão – CasacorCeará, Brasil, 2019 – Foto: Felipe Petrovsky

O mundo já conhece as riquezas do nosso país e, gradualmente, os brasileiros vão aprendendo a valorizar o esplendor que têm em seu quintal.

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